Já tem pelo
menos 15 anos que a indústria de consumo mede a performance de sua cadeia de
suprimentos através do que se denomina “pedido
perfeito”; que em outras palavras significa
atender o pedido feito pelo varejo, no prazo, na quantidade e na
qualidade exigidas.
A
combinação de indicadores como Case Fill Rate(pedido entregue em sua
totalidade) , On-time delivery(pedido entregue no prazo), Invoice Accuracy(fatura
sem erros), Damage Free(produtos entregues
sem avarias) e até On-Time-in-Full (quantidade e prazos atendidos) produz esse indicador global chamado de Perfect Order, ou Pedido Perfeito, que
é resultante da multiplicação desses fatores num único índice .
Esse
indicador tem ajudado as empresas mundo
afora, incluindo o Brasil, a medir e aperfeiçoar seus processos, recursos e
sistemas de gestão e de atendimento, estabelecendo metas para aperfeiçoamento e
ganhos contínuos de performance e lucratividade. Sua evolução é sentida
ano-a-ano, como mostra a pesquisa abaixo
– Índices Médios de Performance de Pedido Perfeito - 1999-2012.
O indicador
de Pedido
Perfeito responde à pergunta:
"Como é que o fabricante vai atender os pedidos do varejo?".
Contudo
há uma pergunta adicional e igualmente importante a ser respondida que é:
"Quão eficaz foi a entrega recente em atender
a demanda do consumidor ? ".
Face aos recentes
avanços tecnológicos e métodos de gestão colaborativa entre indústria e varejo,
novas métricas que complementam o Pedido
Perfeito estão agora disponíveis
para trazer novos insights e aumentar o rigor na execução de importantes
atividades de gestão da cadeia de suprimentos e responder essa questão de forma
mais abrangente. São elas:
- Integração no reabastecimento baseado na demanda do consumidor - O conceito propõe uma visão minuciosa, detalhada e integrada do comportamento do produto nas gôndolas e fluxo ao longo da cadeia, puxado por sinais de demanda, com objetivo de conhecer a razão de Entregas versus Demanda do Consumidor.
- Análise e Predição das condições para ruptura - Apesar do enorme progresso mostrado através do Pedido Perfeito, as rupturas ou faltas de estoques nas gôndolas permanecem em níveis elevados. A tecnologia atualmente disponível dá a capacidade não somente de medir as faltas, como também conhecer o impacto de custos e identificar as causas e que proporção das faltas derivam de ineficiência na cadeia de suprimentos.
- Conformidade com parâmetros de estoques - As informações dos pedidos e da disponibilidade de estoques em cada ponto da cadeia de suprimentos, combinados e avaliadas em conjunto com o conhecimento das próximas demandas do consumidor resultam em melhores avaliações para os parâmetros de reposição.
Essas novas
métricas compõem o Índice de Reposição, ou Replenishment
Index, que combinado com o Pedido
Perfeito fornecem uma poderosa
capacidade de mover-se em direção a uma operação de alta performance para
ambos, indústria e varejo.
A
reconfiguração de tecnologia, processos e organizações são sempre orientadas a resultados o que
torna a transformação algo difícil de se realizar.
Na medida
em que o índice de reposição se mostrar mais favorável (a meta é atingir 100%)
os benefícios são sentidos com a redução de rupturas, diminuição da
variabilidade nas previsões de demanda, menos cancelamentos de pedidos e
devoluções, oportunidade para reduzir estoques de segurança; culminando para um menor impacto de custos de
capital e melhor nível de serviço.
O mercado
está se movendo em direção a essas novas métricas e sua adoção cujos desafios
podem ser melhor enfrentados seguindo algumas recomendações:
- Saber
lidar de forma eficaz com a fragmentação de dados. Temas
como qualidade, volumes, diferentes fontes e provedores de dados precisam ser
tratados dentro de projetos e processos estruturados. A definição clara das
métricas é outro ponto crucial.
- Test & Learn – Toda estruturação para criar métricas consume
esforços e investimentos que nem sempre são prioridade nas empresas. A
estratégia do “test & learn” se mostra como uma opção atraente e eficaz
para “aprender com os dados”, priorizando áreas, segmentos, regiões, produtos e
clientes, com projetos de curta duração, tirando proveito mais rápido e gradual das
inovações, ganhando experiência necessária para evoluir e atingir melhores patamares de performance.
-
Diferentes abordagens para diferentes mercados – Para as economias emergentes como a do Brasil, com distribuição mais
fragmentada, menor penetração de mercado, maior enfase no crescimento da
receita e expansão de mercados, precificação mais “nervosa”, dificuldade de
obtenção de informações confiáveis e com
indicadores ainda sub-otimizados; recomenda-se uma abordagem menos rigorosa para definições e aplicação das métricas
e metas.
- Aplicar casos de uso - As equipes que participam da construção
desse índice são comumente desafiados a identificar o que afeta o índice e ver
que benefícios pode trazer, o que nem sempre é possível justamente por se
tratar de um indicador multi-funcional. Enquanto
uma avaliação inicial benefícios globais faz sentido, entende-se que uma melhor
abordagem é escolher um caso e desenvolver uma compreensão mais clara e avançada
do mesmo, com um compromisso de melhoria de desempenho mais tangível.
Novamente, aprender a cada experiência para evoluir no conjunto.
- Novas métricas requerem novos sistemas para
medir – Atuar em
informações requer atuar em modelos, tecnologia, processos e na organização de
forma conjunta. Aumentar a visibilidade com novas métricas dão maior agilidade
às empresas. Esse poder combinado de novas medidas e processos melhorados
impulsionam os ganhos de melhoria.
Tendência
A adopção
da métricas como Pedido Perfeito ajudou a desencadear em mais de uma década muitas
melhorias na cadeia de abastecimento. Agora são necessárias medidas novas e
adicionais que compõem o Índice de
Reposição para ir além, manter o ritmo com os avanços e dar a direção para a
Reposição Perfeita. Os dois
índices são complementares e podem impulsionar a próxima geração de desempenho
da cadeia de suprimentos .
Autor: IBM Business Value - 2015
Comentários: Paulo Eduardo Corazza.

